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Vacina COVID-19 em crianças dos 5 aos 11 anos

Nas crianças a COVID-19 é habitualmente uma doença assintomática ou ligeira e, felizmente, continuam a ser raros os casos graves por doença aguda que obrigam a internamento ou admissão em unidades de cuidados intensivos. Contudo, as crianças têm sido fortemente prejudicadas na pandemia devido aos confinamentos sucessivos que afetam seriamente a sua aprendizagem e saúde mental e aumentam o risco de pobreza e de maus tratos.

Em Portugal o risco médio de hospitalização em crianças com 5 a 11 anos de idade, durante o ano de 2021, foi de 0,2%. Foram admitidas em unidades de cuidados intensivos 30 crianças desta faixa etária, 4 por doença grave e 26 por Síndrome Inflamatório Multissistémico (PIMS-TS/MIS-C), uma síndrome rara associada a infeção recente por SARS-CoV-2 em crianças. O PIMS-TS é uma situação clínica muito grave, com atingimento frequente de vários órgãos e a idade mediana para o seu aparecimento ronda os 8 anos. Num estudo europeu o envolvimento cardíaco ocorreu em cerca de 90% dos casos, com relatos de choque em cerca de 40% dos casos e de arritmias em cerca de 35% dos casos. No nosso país ainda não foram reportadas mortes por PIMS-TS mas, apesar da maioria dos casos ter apresentado evolução favorável, não existem ainda dados que permitam avaliar o impacto a longo prazo desta síndrome.

As vacinas contra a COVID-19 são seguras e eficazes, protegem contra doença grave e reduzem a transmissão da infeção, embora não a impeçam por completo. A vacinação contra SARS-CoV-2 foi avaliada num ensaio clínico em crianças dos 5 aos 11 anos de idade, no qual foram vacinadas 1517 crianças com a dose pediátrica da vacina Comirnaty® (Pfizer-BioNTech). Os resultados mostraram que, tal como noutros grupos etários, esta vacina é segura e eficaz contra a COVID-19, pelo que foi já aprovado o seu uso pela FDA e pela EMA, por considerarem que os benefícios superam largamente os riscos. Os efeitos secundários mais frequentes foram, tal como noutras idades, dor no braço, sensação de cansaço, mal-estar, cefaleias ou febre baixa, que resolveram facilmente. Noutros grupos etários, sobretudo em adultos jovens do sexo masculino, foram notificados casos extremamente raros de inflamação cardíaca (miocardite e pericardite) após a vacinação, todos eles ligeiros que resolveram sem deixar sequelas. A COVID-19 também pode causar miocardite e pericardite numa percentagem muito superior à da vacina. 

Atualmente já receberam a primeira dose de vacina mais de 5 milhões de crianças na faixa etária dos 5 aos 11 anos em todo o mundo e não foram reportados efeitos adversos graves. As agências reguladoras nacionais e internacionais mantêm vigilância contínua sobre possíveis efeitos laterais muito raros que possam vir a surgir, bem como sobre a eficácia face ao aparecimento de novas variantes de preocupação, nomeadamente sobre a nova variante Ómicron.

A vacinação dos 5 aos 11 anos foi avaliada e recomendada pela Comissão Técnica de Vacinação Contra a COVID-19 (CTVC) da Direção Geral da Saúde, tendo sida ouvida a opinião de peritos em diversas áreas relevantes para a tomada de decisão. Na decisão a DGS teve em conta a segurança e eficácia da vacina e o número e gravidade dos casos neste grupo etário. Igual decisão foi tomada em muitos outros países europeus.

É natural que os pais tenham dúvidas sobre se devem ou não administrar a vacina aos seus filhos, dado tratar-se de uma vacina recente e, sobretudo, pelos comentários, maioritariamente desapropriados, que circulam nas redes sociais. A SPP recorda que os profissionais que participaram na tomada de decisão são muito experientes na análise dos riscos e benefícios de vacinas e, por esse motivo, fontes de informação muito mais fiáveis. Os argumentos que pesaram na tomada de decisão podem ser consultados exaustivamente no portal da DGS (https://covid19.min-saude.pt/wp-content/uploads/2021/12/CTVC-PARECER_Criancas-5-11-anos.pdf). Os profissionais de saúde são as pessoas que poderão ajudar melhor a esclarecer as suas dúvidas.

A SPP espera que a vacinação das crianças deste grupo etário se associe a diminuição do risco da doença e das suas complicações e que as crianças vacinadas possam ser consideradas como contactos de baixo risco, na presença de um caso positivo na comunidade escolar, contribuindo assim para a redução significativa do impacto na saúde mental e educacional destas crianças, cujos efeitos a longo prazo serão certamente muito negativos.

 

Direção da Sociedade Portuguesa de Pediatria 

17 de dezembro 2021