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Duas Crianças

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    APP [Vol. 42 N.º 4]     Todas as Edições

Autor Título Ano de Publicação Resumo Tudo

APP; Vol.42, Nº4 (Julho/Agosto 2011)

Artigo PDF  Versão Integral
» Editorial
Seta SOBRE A IMPORTÂNCIA DO CONSELHO CIENTÍFICO E O PROCESSO EDITORIAL DA APP
António Gomes, João M Videira Amaral

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Realizou-se no dia 07 de Outubro de 2011, em Albufeira, durante o Congresso Nacional de Pediatria, uma reunião conjunta dos Conselhos Editorial (CE) e Científico (CC) da Acta Pediátrica Portuguesa (APP).

A reunião, convocada por iniciativa do CE, teve como principais objectivos dar informações sobre a evolução operada quanto a aspectos organizativos, assim como reflectir conjuntamente sobre a importância da colaboração desejável do CC, designadamente no respeitante ao papel crucial do mesmo no recrutamento de revisores de manuscritos/peer reviewing e na publicação de recomendações e consensos.

Virá então a propósito informar sucintamente os leitores,assim como os potenciais autores e revisores sobre a agenda da referida reunião, ou seja, as principais mudanças já efectuadas ou em curso, relacionadas com o processo editorial.

Correspondência:
app@spp.pt

» Nota Editorial
Seta A PEDIATRIA DO NEURODESENVOLVIMENTO, O QUE É?
Guiomar Oliveira

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Abordar este tema numa nota editorial da nossa revista pediátrica não carece de motivos especiais. A elevada frequência com que os problemas do comportamento e do desenvolvimento psicomotor ocorrem ao Pediatra geral já bastava. No entanto a premência de o fazer, presentemente, decorre de dois factos na actualidade da nossa comunidade pediátrica. E tendo em conta que o futuro é o resultado das decisões que tomamos hoje, vamos então esclarecer alguns pontos desta temática.

O primeiro facto deve-se à criação e respectiva abertura do Ciclo de Estudos Especiais (CEE) em Pediatria do Neurodesenvolvimento (PND), divulgada em Diário da República nos avisos nºs 13221/2009 e 10530/2011.

Correspondência:
Guiomar Oliveira
guiomar@chc.min-saude.pt

» Originais
Seta CEFALEIAS NUMA POPULAÇÃO PEDIÁTRICA PORTUGUESA EM CONTEXTO DE URGÊNCIA
Conceição Alves, Teresa Campos, Ana Paula Fernandes

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Resumo

Introdução:
As cefaleias são muito frequentes em Pediatria,podendo ser manifestação duma patologia grave que exija intervenção urgente. A investigação das cefaleias em contexto urgente é um desafio. Foi objectivo descrever o espectro diagnósticoe a abordagem das cefaleias numa urgência pediátrica e associar dados clínicos aos casos mais graves de cefaleias.

Metodologia: Estudo prospectivo histórico baseado na revisão casuística da população pediátrica admitida, durante um ano, no serviço de urgência de um hospital distrital português em que a queixa principal era cefaleias.

Resultados: As cefaleias representaram 0,95% das admissões na urgência. Analisaram-se 179 crianças com idade entre os dois e catorze anos. O espectro diagnóstico foi de 70,4% cefaleias secundárias (46,8% infecções respiratórias), 16,2% primárias (41,4% enxaquecas) e 13,4% inclassificáveis.Houve três casos patológicos graves, todos comalterações no exame neurológico. Em51,7%das cefaleias primárias realizaram-se exames complementares (neuroimagemem26,7%). Oparacetamol foi o fármaco de primeira linha. Em 81,0% dos casos houve alta para o exterior. Em 31,0% das cefaleias primárias existiu nova recorrência ao serviço de urgência.

Discussão: As cefaleias como queixa principal são um motivo incomum de recurso à urgência, sendo na maioria secundárias a infecções, predominantemente do sistema respiratório. O recurso a exames complementares, nomeadamente de neuroimagem, foi excessivo. A investigação da localização e qualidade da cefaleia e dos antecedentes familiares, bem como um exame neurológico completo, podem melhorar a abordagem diagnóstica e terapêutica. As recorrências à urgência nas cefaleias primárias evidenciam a necessidade de melhorar o acompanhamento, bem como as medidas terapêuticas e profiláticas para o ambulatório.

Conclusões: Amaioria das cefaleias em contexto de urgência na população pediátrica é benigna. Um exame neurológico minucioso sem alterações é primordial na exclusão de patologia grave e remete para segundo plano o recurso urgente à neuroimagem.

Palavras-chave: Cefaleia; criança; urgência.

Correspondência:
Conceição Alves
Rua Central, nº 102
4495-019 Aguçadoura
sao.alves@gmail.com

Seta USO (OU ABUSO) DE FÁRMACOS NA IDADE PEDIÁTRICA
Raquel Maia, Catarina Luís, Marta Moura, Rui Ribeiro, Helena Almeida, Maria João Brito

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Resumo

Introdução e Objectivos:
A exposição a fármacos na idade pediátrica pode ser nociva. A utilização elevada de medicamentos não aprovados em Pediatria, bem como o uso para sintomas em que a sua eficácia não foi comprovada, tem sido descrita de forma preocupante. Foi objectivo deste estudo avaliar o padrãode consumo de fármacos numa população pediátrica portuguesa.

Métodos: Estudo transversal, com recrutamento prospectivo dos casos e amostra de conveniência; recolha de dados por inquérito; incluídas crianças, sem doença crónica, que recorreram ao serviço de urgência de um hospital na área da Grande Lisboa, num período de dois meses.
 
Resultados: Foram incluídas 189 crianças com idade média de 5,8 anos.Aproporção de crianças com consumo de fármacos, nos trêsmeses precedentes, foi de 120/189 (63,5%) – superior entre os seis e 24meses (74%vs 58,5%; p=0,038).Os fármacosmais prescritos foram os analgésicos/antipiréticos e anti-inflamatórios (83/202, 41,1%), os antibióticos (52/202, 25,8%) e os anti-histamínicos (14/202, 7%). Em 96/202 casos (47,5%) eram medicamentos não sujeitos a receita médica e em 33/174 (19,1%) “automedicações”. Verificou-se utilização de anti-histamínicos,expectorantes, analgésicos e anti-inflamatórios não recomendados para a faixa etária. O consumo de antibióticos foi mais elevado entre os seis e 24 meses (36%vs 18,5%; p=0,012), com predomínio da associação amoxicilina/ácido clavulânico (21/52, 40,4%). Em seis casos foram relatados possíveis efeitos secundários.

Conclusões: De acordo com o nosso conhecimento este é o primeiro estudo emPortugal a avaliar o padrão de utilização de fármacos em Pediatria. Este consumo foi elevado, sobretudo na infância precoce, evidenciando a necessidade de vigilância e regulamentação adequadas. Os medicamentos não sujeitos a receita médica, amplamente utilizados, poderão associar-se a riscos acrescidos, pela facilidade no seu acesso. O uso frequente de antibióticos, sobretudo de largo espectro, poderá vir a associar-se ao desenvolvimento de resistências.

Palavras-chave: pediatria, medicamentos, consumo.

Correspondência:
Raquel Dias Batista Maia
Área da Pediatria Médica do Hospital Dona Estefânia
Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa
Rua Jacinta Marto
1169-045 Lisboa, Portugal
rakelmaia@gmail.com

» Artigo de Opinião
Seta QUANDO A CRIANÇA MORRE…
Ângela Sofia Lopes Simões

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Resumo

A morte continua a ser um tabu na nossa sociedade actual. Falar de morte é importante porque trata-se, talvez, da única certeza humana, e desmistifica-la é urgente. Quando se fala na morte de uma criança, o “incomodo” é maior ainda, porque desafia as leis de justiça humana. Neste artigo exploram-se as dificuldades associadas com a morte de uma criança e as estratégias para lidar com o luto dos pais, profissionais de saúde e das próprias crianças encontrados através de uma revisão da literatura.

Palavras-chave: morte; criança.

Correspondência:
Ângela Sofia Lopes Simões
Avenida de Espanha lote 36, 6º Esq.
6000-078 Castelo Branco
angela.simoes@gmail.com

» Casos Clínicos
Seta ENFISEMA LOBAR CONGÉNITO: UMA APRESENTAÇÃO MULTILOBAR
Ana Moutinho, Graça Seves, Maurílio Gaspar, Rui de Carvalho Alves, Henrique Sá Cout, José Oliveira Santos

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Resumo

O enfisema lobar congénito é umamalformação rara do tracto respiratório inferior detectada habitualmente nos primeiros meses de vida. Apresenta-se o caso de um lactente, do sexo masculino, de dois meses de idade, internado por suspeita de pneumonia, no qual a segunda radiografia de tórax revelou hipertransparência arredondada no lobo inferior esquerdo, sugestiva de enfisema lobar congénito. A tomografia computorizada torácica mostrou uma imagem quística,multilobar, e a broncoscopia excluiu obstrução brônquica. Foi programada cirurgia para os seis meses de idade, mas aos três meses foi submetido a intervenção cirúrgica urgente por pneumotórax hipertensivo. O exame anatomo-patológico da peça operatória permitiu o diagnóstico de enfisema lobar congénito.Destaca-se a apresentação multilobar e a complicação por pneumotórax.

Palavras-chave: enfisema, congénito, lactente.

Correspondência:
Ana Sofia Moutinho
Serviço de Pediatria
Hospital José Joaquim Fernandes
Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo
7800-454 Beja
asm@meo.pt

Seta HEMORRAGIA INTRACRANIANA ESPONTÂNEA EM PACIENTE COM AFIBRINOGENEMIA
Elisa C. dos Reis, Jaime Lin, Mirella M. Peruchi, Marcelo R. Masruha, Maria Z. Baldessar

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Resumo

Paciente com afibrinogenemia congênita, diagnosticada aos quatro meses de idade, permaneceu assintomática até os quatro anos. Nessa ocasião, foi admitida no setor de emergência e diagnosticada inicialmente com enxaqueca, sendo posteriormente diagnosticado o episódio de acidente vascular hemorrágico. A paciente recebeu tratamento com crioprecipitado, evoluindo com melhora do quadro clínico e reabsorção do hematoma subdural nas imagens de controle. Hemorragia intracerebral espontânea deve fazer parte do diagnóstico diferencial em pacientes com afibrinogenemia diagnosticada, pois a conduta terapêutica correta, e em tempo hábil, pode impedir que complicações neurológicas reversíveis se tornem permanentes.

Palavras-chave: Afibrinogenemia, fibrinogênio, hemorragia cerebral.

Correspondência:
Elisa Casanova dos Reis
Rua Vigário José Poggel, n. 555, apto 202. Bairro Dehon.
Tubarão – SC. CEP 88704-240, Brasil
elisacdosreis@hotmail.com
Seta SARCOIDOSE EM IDADE PEDIÁTRICA
Sofia Águeda, Rita Jorge, Susana Soares, Carla Rego, Ana Maia, Inês Azevedo

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Resumo

A sarcoidose é uma doença granulomatosa multissistémica de etiologia desconhecida, cujo diagnóstico é baseado na elevada suspeição clínica e biópsia conclusiva. Apresentamos o caso de uma criança de onze anos internada para estudo de anorexia,astenia, dispneia e perda ponderal. A radiografia de tórax mostrava um padrão alvéolo-intersticial difuso, e as provas tuberculínica e de reacção em cadeia da polimerase para Mycobacterium tuberculosis eram negativas. Constatou-se elevação da enzima conversora da angiotensina.Atomografia computorizada torácica revelou padrão intersticial difuso e no lavado bronco-alveolar verificou-se relação CD4+/CD8+elevada. O diagnóstico de sarcoidose foi confirmado por biópsia de adenomegalia cervical, que revelou linfadenopatia granulomatosa não caseosa. O caso é apresentado para relembrar este diagnóstico e assim contribuir para elevar o índice de suspeição em casos similares.
 


Palavras-chave: sarcoidose, padrão miliar, granuloma.

Correspondência:
Sofia Águeda
Hospital São João, E.P.E.
Alameda Prof. Hernâni Monteiro
4200 Porto
sofiamsa@gmail.com
» Artigo de Actualização
Seta DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA GASTRENTERITE AGUDA
Sofia Martins, Andreia Lopes, Cristiana Couto, Eunice Trindade, Marta Tavares, Jorge Amil Dias

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Resumo

A gastrenterite aguda (GEA) continua a ser uma das patologias mais frequentes em idade pediátrica, associada a morbi-mortalidade importante. Nos últimos anos foram desenvolvidas orientações clínicas pela Sociedade Europeia de Gastrenterologia,Hepatologia e Nutrição Pediátrica/Sociedade Europeia de Doenças Infecciosas Pediátricas e pela Sociedade Latinoamericana de Gastrenterologia Pediátrica, Nutrição e Hepatologia para a abordagem e tratamento da GEAem idade pediátrica.Avaliamos as recomendações de ambos os grupos e destacamos as principais semelhanças e diferenças.Analisaram-se as orientações publicadas em 2008 e 2009 e avaliaram-se os seguintes parâmetros: metodologia de investigação,definição de GEA, epidemiologia, factores de risco para doença grave, avaliação diagnóstica, critérios de internamento e alta, orientação terapêutica e prevenção.Verificou-se que para os dois grupos, embora utilizando metodologia distinta, a re-hidratação oral constitui a base da terapêutica, com clara preferência pelas soluções de osmolaridade reduzida e hipotónicas. Ambas recomendam o aleitamento materno e a realimentação precoce. Há alguma evidência de benefício com o uso de probióticos (Lactobacillus GG e Saccharomyces boulardii), racecadotril e esmectita. Não está recomendado o uso indiscriminado de anti-eméticos, antiperistálticos ou antimicrobianos.As principais diferençasdetectadas incluíram: a indicação para o recurso aos cuidados de saúde, o uso de anti-eméticos e de zinco. A presente análise permite concluir que as principais recomendações para a abordagem terapêutica da diarreia aguda infantil são comuns para os países desenvolvidos e em desenvolvimento, apesar dos diferentes cenários epidemiológicos que caracterizam cada grupo. As diferenças encontradas estão relacionadas com características físicas, socioeconómicas e culturais da população alvo.

Palavras-Chave: Gastrenterite, criança pré-escolar, recomendações, soluções de re-hidratação.

Correspondência:
Jorge Amil Dias
Alameda Prof. Hernâni Monteiro
4202-451 Porto
jorge.amil@hsjoao.min-saude.pt

Seta NOVAS ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO DA TOSSE CONVULSA
Cláudio D´Elia, Pedro Mendes, Anaxore Casimiro

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Resumo

Introdução:
Nos últimos 30 anos, em vários países, tem sido relatado um aumento da incidência de tosse convulsa, sobretudo em adolescentes e adultos, apesar das altas taxas de cobertura de imunização primária.

Objectivos: Rever aspectos da epidemiologia da tosse convulsa,descrever algumas estratégias de controlo, com ênfase nas que incluem a utilização de vacinas com menores quantidades do toxóide diftérico e de alguns componentes pertussis (dTpa), e a avaliação da eficácia e efectividade destas vacinas.

Métodos: Selecção de artigos relevantes, através da base de dados PubMed e sítios de acesso livre da internet, publicados entre 1991 e 2011.

Resultados: As alterações do padrão epidemiológico são atribuídas,principalmente, à diminuição da imunidade ao longo dos anos, após a vacinação ou infecção natural. Os adolescentes e adultos foram identificados como importantes fontes de transmissão da doença para lactentes muito jovens que, uma vez não imunizados ou parcialmente imunizados, são mais vulneráveis às complicações relacionadas com a doença e apresentam maior mortalidade. A vacina (dTpa), formulada para o uso em adolescentes e adultos é segura e eficaz. A sua utilização também reduz a transmissão da tosse convulsa para os grupos etários com alto risco de complicações.

Conclusão: A disponibilidade da dTpa oferece novas oportunidades para reduzir o impacto da tosse convulsa. A modificação das estratégias preventivas pode levar a um melhor controlo globalda doença.

Palavras-chave:  tosse convulsa, epidemiologia, imunogenicidade,vacinas pertussis, estratégias de vacinação, vacinas acelulares.

Correspondência:
Cláudio D´Elia
Serviço de Pediatria
Centro Hospitalar de Setúbal, Hospital de São Bernardo
Rua Camilo Castelo Branco
2910-446 Setúbal
claudio_delia@sapo.pt

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